Tradução em andamento do livro “A Dispensational or a Covenantal Interpretation of Scripture - Which is the Truth?” por Bruce Anstey
Este livro encontra-se em processo de tradução, portanto para uma leitura mais ordenada sugiro que comece pela postagem mais antiga no Arquivo da coluna da direita.

MATEUS 15

A insistência dos líderes da nação em encontrarem alguma falta no Senhor provava que seus corações estavam determinados a rejeitá-Lo como Messias de Israel (vers. 1-2). Eles consideraram uma ofensa Ele e Seus discípulos não lavarem as mãos, pois estariam transgredindo “a tradição dos anciãos”, que eram meros ensinos rabínicos que eles próprios tinham inventado, e não determinações bíblicas como as existentes na Lei de Moisés. Contrapondo suas tradições humanas o Senhor lhes perguntou a razão de transgredirem “o mandamento de Deus” — a verdade das Escrituras (vers. 3-6). Ao fazer tal pergunta o Senhor mostrava o quanto os judeus haviam se afastado da verdade da Palavra de Deus. Eles eram meticulosos em guardar suas próprias regras e regulamentos criados por homens, mas não tinham escrúpulos em transgredir a Lei de Deus!


Sendo assim o Senhor repreendeu a hipocrisia dos fariseus (vers. 7-9) e em seguida apresentou à multidão a verdade acerca do lavar (vers. 10-11). Ele também informou Seus discípulos de que já que aqueles líderes que representavam a nação não tinham sido “plantados” por Deus, eles seriam “arrancados” e perderiam seu lugar de privilégio (vers. 12-13). Isso apontava para o tempo em que a nação seria colocada de lado. Enquanto isso o Senhor chamava Seus discípulos para se separarem deles, dizendo, “deixai-os” (vers. 14).

Considerando que o ensino do Senhor era tão contrário a tudo o que eles tinham ouvido até ali, Pedro pede uma explicação (vers. 15-20). O Senhor aproveitou a oportunidade para ensinar Seus discípulos que era o coração do homem, e não suas mãos, que necessitava ser limpo, pois estava cheio de pecado e corrupção.

Depois de declarar a verdade, o Senhor partiu dali e “foi para as partes de Tiro e de Sidom.” (vers. 21). “Tiro e Sidom” eram regiões habitadas pelos gentios (Atos 21:3). O Senhor não foi propriamente àquele território, mas “para as partes de Tiro e de Sidom”, isto é, aos seus arredores (conforme comenta J. N. Darby em nota em sua tradução da Bíblia). Mais uma vez esta era uma ação simbólica que indicava que o Senhor iria deixar de ministrar a Israel e se voltaria para os gentios. Isso se deu no ponto mais extremo da terra em relação a Jerusalém, a cerca de 160 a 200 quilômetros de distância daquela cidade, e sugere que a vocação presente do evangelho para o mundo gentio seria levada, seu caráter (que é celestial) o mais distante possível das tratativas terrenas feitas por Deus para com Israel.

Diante da incredulidade dos judeus (vers. 1-20) somos apresentados à fé de uma mulher gentia (vers. 21-28). Que revigorante contraste! Uma “mulher cananeia” (povo que havia sido destinado à total destruição em Deuteronômio 7:1-2) aproximou-se do Senhor por fé e recebeu uma bênção! Sob a Lei aquele povo era para ter sido destruído, mas sob a graça há salvação para eles! Ao escrever o Evangelho de Mateus o Espírito de Deus coloca estes eventos em ordem para indicar como Deus faria para alcançar os gentios quando Cristo fosse rejeitado por Seu povo (Atos 15:14).

Em sua ignorância a mulher assumiu uma posição judaica na tentativa de obter bênção, ao identificar o Senhor como “filho de Davi” (vers. 22-24). Mas enquanto estava nesse terreno o Senhor “não lhe respondeu palavra”. Existe também aí uma lição simbólica. O Senhor estava indicando que a bênção já não seria dada com base no judaísmo, pois a “religião dos judeus” (Gl 1:14 - Versão King James) seria logo colocada de lado quando o evangelho da graça de Deus fosse levado aos gentios (Os 3:4). Portanto, todo aquele que quisesse se aproximar de Deus nessa perspectiva do judaísmo não seria recebido. Quando Israel for restaurado no futuro (quando buscarem a “Davi, seu Rei”, conforme Oséias 3:5), eles serão abençoados pela fé sobre um terreno judaico. Isso incluirá gentios que “abraçarem” a Nova Aliança (Is 56:3-8). No momento atual o sistema judaico não é um meio pelo qual Deus abençoe os homens.

A fé da mulher não se deu por vencida, por isso ela clamou, “Senhor, socorre-me!” (vers. 25-28). Sobre esse terreno havia bênção, pois as Escrituras afirmam: “Porquanto não há diferença entre judeu e grego; porque um mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam. Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.”  (Rm 10:12-13). “Todo aquele” inclui os gentios. Consequentemente, o Senhor elogiou sua fé, dizendo: “Grande é a tua fé! Seja isso feito para contigo como tu desejas.” (Mt 15:28).

Depois disso o Senhor retornou à terra de Israel (“ao pé do mar da Galileia”) onde abençoou as multidões que se aproximaram dele (vers. 29-31). A bênção foi ministrada de quatro maneiras: aos “cochos”, “cegos”, “mudos” e “aleijados”, tendo sido todos curados. O número quatro nas Escrituras tem o sentido de universal (por exemplo, “desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus” em Mateus 24:31, “os quatro cantos da terra” em Apocalipse 71, etc.). A cura que sai em todas as quatro direções representa a bênção de caráter mundial que haverá durante o Milênio.

Naquele mesmo lugar o Senhor também alimentou uma companhia de “quatro mil” (vers. 32-39). Mais uma vez o número “quatro” é usado e aponta para a bênção universal. O Senhor usou “sete” pães para alimentar a multidão, e sobraram “sete” cestos. A palavra “cesto” aqui é “spuris” no original e indica um recipiente bem maior que o “cesto” de Mt 14:20, que no original é “kophinos”, um cesto pequeno. Nas Escrituras o número sete representa a perfeição e indica que haverá perfeição na bênção derramada sob o reinado de Cristo durante o Milênio. Portanto, haverá saúde, prosperidade e bênção espiritual para todo o mundo durante o reinado público de Cristo.



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