Tradução em andamento do livro “A Dispensational or a Covenantal Interpretation of Scripture - Which is the Truth?” por Bruce Anstey
Este livro encontra-se em processo de tradução, portanto para uma leitura mais ordenada sugiro que comece pela postagem mais antiga no Arquivo da coluna da direita.

JOÃO 20

JOÃO 20

Este capítulo nos apresenta um registro da característica ímpar do Cristianismo: a ressurreição de Cristo. A ressurreição de Cristo permanece como a vitória final de Deus sobre o pecado e a morte, e assinala o início de toda uma nova ordem de coisas no modo de Deus agir. João declara que “viu” três grandes coisas. Essas coisas estabelecem os fundamentos de todas as nossas bênçãos e privilégios cristãos:
  •          A visão de um Salvador morrendo (Jo 19:35).
  •          A visão de um túmulo aberto (Jo 20:8).
  •          A visão do Senhor vivo no meio do Seu povo (Jo 20:20).

Na primeira, João deu testemunho do sangue da expiação sendo derramado — a base para que os homens fossem abençoados por Deus mediante a fé (1 Jo 1:7).
Na segunda, João deu testemunho do selo da aprovação de Deus sobre a obra consumada de Cristo na ressurreição do Senhor. Ele declara que “o lenço, que tinha estado sobre a sua cabeça, não estava com os lençóis, mas enrolado num lugar à parte” (Jo 20:7). Isto é significativo e nos dá uma pista do que viria na Dispensação do Mistério (Cristianismo). O novo vaso de testemunho que Deus iria formar (a Igreja), na figura do corpo de Cristo, seria caracterizado por uma separação física entre a Cabeça e os membros do Seu corpo, todavia eles estariam intimamente conectados pelo Espírito de Deus. O Livro de Atos e as epístolas atestam o fato de que Cristo, a Cabeça, estaria nos céus enquanto os membros do Seu corpo estariam na terra durante o presente Dia da Graça (At 9:4; 1 Co 12:12-13).
Na terceira visão, João viu o Senhor no meio dos Seus em um novo lugar de reunião para os crentes — “um cenáculo” (aposento superior). O Templo em Jerusalém havia sido o lugar designado por Deus no Judaísmo onde todos os judeus deviam se reunir e adorar a Jeová (Dt 12:11; 16:16-17). Todavia, um pouco antes da morte do Senhor Ele “saiu” do Templo em Jerusalém. Aquela era uma ação simbólica que indicava que Ele estava rompendo o Seu vínculo com toda aquela ordem de coisas do Judaísmo e com aquele lugar de adoração (Mt 23:38-24:1). Daí em diante a Sua presença não seria mais encontrada ali. Quando o Senhor ressuscitou de entre os mortos Ele tornou Sua presença conhecida em um lugar de reunião completamente novo — “o cenáculo”. Este novo lugar de reunião simboliza o novo terreno de reunião no Cristianismo (Lc 22:12; At 1:13; 9:39; 20:8). Algumas coisas que caracterizavam “o cenáculo” eram:
  •          Os discípulos se reuniam ali “no primeiro dia da semana” (Jo 20:19a). É significativo que a ressurreição do Senhor e Sua aparição no meio dos Seus (a última tendo ocorrido em dois primeiros dias da semana consecutivos) indica que este novo modo de Deus agir no Cristianismo não estava conectado com o dia comemorativo da antiga dispensação, o Sábado (Êx 20:8; 31:12-17). Isto sugere que o Sábado não seria observado na nova ordem de coisas do Cristianismo (Cl 2:16-17).
  •          Eles se reuniam no novo lugar de reunião em separação dos judeus e da ordem judaica, opostas aos princípios e práticas cristãs — “cerradas as portas” para os judeus (Jo 20:19b, Hb 13:10). Portanto era “fora do arraial” do Judaísmo em posição, princípio e prática (Hb 13:13).
  •          O Senhor fez Sua presença conhecida “no meio” deles (Jo 20:19c; Mt 18:20).
  •          “Paz” e alegria (encorajamento) foram desfrutadas pelos que estavam ali (Jo 20:19:21).
  •          A presença do “Espírito Santo” foi conhecida de uma maneira peculiar (Jo 20:22; Fp 3:3).
  •          O Senhor comissionou os discípulos com poder para “perdoar” e “reter” pecados no sentido administrativo (Jo 20:23; Mt 18:18-19; 1 Co 5:4).

Estas coisas caracterizam o Cristianismo. Portanto, este capítulo nos apresenta outra transição — do antigo lugar de reunião no Templo para novo lugar de reunião no cenáculo.

Maria foi a primeira a ver o Senhor em ressurreição (Jo 20:11-18). Todavia, ela não devia “tocá-Lo” na condição em que Ele estava, pois Ele ainda não tinha “subido” para o Seu Pai (Jo 20:17). Isto significa que apesar de os discípulos terem “conhecido Cristo segundo a carne” como o Messias de Israel, daí em diante eles já não O conheceriam desse modo (2 Co 5:16). Eles deveriam conhecê-Lo de uma maneira completamente nova — como Cabeça da raça de uma “nova criação” (Rm 8:29; Gl 6:15; 2 Co 5:17; Ap 3:14) — no novo lugar de reunião. Suas novas conexões cristãs com Deus Pai em Cristo ressuscitado estão indicadas por Sua declaração a Maria: “Subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus” (Jo 20:17). Os da antiga dispensação não conheciam a Deus como Pai desta maneira.



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