Tradução em andamento do livro “A Dispensational or a Covenantal Interpretation of Scripture - Which is the Truth?” por Bruce Anstey
Este livro encontra-se em processo de tradução, portanto para uma leitura mais ordenada sugiro que comece pela postagem mais antiga no Arquivo da coluna da direita.

O Evangelho de João assinala a transição da Antiga para a Nova Dispensação

O Evangelho de João assinala a transição da Antiga para a Nova Dispensação

Enquanto as epístolas apresentam o caráter singular da nova iniciativa de Deus em formar a Igreja, com suas bênçãos, privilégios e promessas especiais, o Evangelho de João e o livro de Atos enfatizam a transição da velha para a nova dispensação. O Evangelho de João nos mostra o embrião do Cristianismo, antes que o próprio Cristianismo e a Dispensação do Mistério começassem de fato. Em quase todos os capítulos deste evangelho há elementos do Cristianismo que são, ora ensinados, ora ilustrados para indicar a mudança dispensacional que estava para acontecer.
João é o único escritor do Novo Testamento que escreveu depois de a nação de Israel ter sido literalmente colocada de lado, o que aconteceu no ano 70 D.C. Ele escreveu por volta do ano 90 D.C. quando o Cristianismo já estava completamente estabelecido e a nação judaica tinha sido desfeita. Por ocasião de sua redação já não existia mais Judaísmo — a cidade de Jerusalém e o santuário haviam sido destruídos (Dn 9:26; Mt 22:7). O Espírito de Deus guiou João para apresentar a vida do Senhor e o Seu ministério da perspectiva singular de quem olhava para trás através das lentes do Cristianismo. Ao contrário dos outros evangelistas, João tem seu foco em determinadas mudanças dispensacionais no ministério do Senhor que enfatizam o fato de que, no horizonte, já se vislumbrava uma transição do Judaísmo para o Cristianismo.
À medida que os capítulos vão sendo apresentados percebemos vários elementos e ilustrações do Cristianismo feitas pelo Espírito Santo. Estas características são do Cristianismo original, e não daquele corrompido pelas mãos dos homens. Ao mesmo tempo, diversas características importantes do Judaísmo são claramente deixadas de lado. Por exemplo, as festividades à quais o Senhor compareceu em Jerusalém são chamadas de “páscoa dos judeus” e “festa dos judeus” (Jo 2:12; 5:1; 6:4; 7:2 etc.); elas já não são vistas como Festas de Jeová como eram no passado. Além disso, em João 10:34 e 15:25 o Senhor diz “vossa lei” e “sua lei [deles]”. Aquela era a Lei de Deus, mas agora, em razão do mau uso que os judeus fizeram dela, já não era mais considerada assim. Paulo faz o mesmo em Gálatas 1:13 ao chamar de “Judaísmo” ou “religião dos judeus” o outrora venerado culto a Deus — literalmente “na religião dos judeus”. Repare também que há uma mudança em Mateus 21:13, onde o Senhor diz “Minha casa”, e Mateus 23:38, onde está “vossa casa”. Assim João escreve da perspectiva da antiga dispensação como tendo sido colocada de lado e não sendo mais reconhecida por Deus, até mesmo enquanto o Senhor ministrava na terra.



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